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TRANSFOBIA

Aluno trans da UFPA é agredido no banheiro do 'Vadião'

Segunda-Feira, 24/06/2019, 13:02:34 - Atualizado em 24/06/2019, 13:58:01 Ver comentário(s)

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Aluno trans da UFPA é agredido no banheiro do 'Vadião' (Foto: Julyanne Forte)
A violência foi comunicada a instituição. Vítima e Sindicato pedem providências (Foto: Julyanne Forte)

O aluno Heitor Batista da Conceição, do curso de Ciências Sociais da Universidade Federal do Pará (UFPA), foi vítima de violência física e verbal nas dependências da Universidade. A agressão ocorreu na última quarta-feira (19), por volta das 21h, em Belém.

De acordo com um documento assinado por Heitor, a agressão ocorreu em um banheiro masculino do Complexo do Vadião, que fica dentro da Federal.

“Um rapaz alto, branco, vestindo bermuda jeans e camisa branca impediu a minha entrada no box, afirmando que o banheiro feminino ficava do outro lado. Eu respondi que era homem trans e ele riu, debochando, e falou ‘já que você é macho, então aguenta a porrada’ e em seguida deferiu dois socos em mim, um no peito e um na costela”, contou o estudante.

Ainda no documento, Heitor diz que mais quatro pessoas presenciaram o ato, não fizeram nada para impedir e nem prestaram socorro. “Eu saí chorando e procurei os alunos de Ciências Sociais, com quem eu estava. Fiquei tão abalado com o ocorrido que não pude tomar as medidas necessárias naquele momento”, afirmou Heitor.

Não foi a primeira vez que o estudante sofreu violência. No mesmo local, em 2018, Heitor também foi impedido de entrar no banheiro masculino e agredido física e verbalmente. Nesta ocasião, o estudante afirma que procurou o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e nenhuma providência foi tomada.

“Por conta do ocorrido, não tenho conseguido realizar meus trabalhos de final de semestre, devido ao estado emocional abalado que me encontro”, disse Heitor. O estudante pede que a Universidade Federal do Pará atue com medidas para impedir que esses tipos de crime não se repitam dentro da instituição.

Leia o documento na íntegra:

NOTA 

O Sindicato dos Trabalhadores Técnico-administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (SINDTIFES) se solidariza e apoia o estudante.  

“Não é a primeira vez que uma pessoa é vítima de violência transfóbica nas dependências da UFPA. Repudiamos o fato e exigimos da Administração Superior que tome todas as medidas administrativas, políticas e pedagógicas necessárias ao enfrentamento desta problemática tão grave que é a discriminação e a violência contra os segmentos sociais historicamente oprimidos em nossa sociedade, como a população LGBTI”, afirma o Sindicato.

Recentemente o STF (Supremo Tribunal Federal) enquadrou a homofobia e transfobia como crime de racismo, portanto, um crime inafiançável. “Uma instituição de ensino, pesquisa e extensão pública, tão importante para o desenvolvimento de nossa região amazônica e uma referência na formação de quadros e de profissionais altamente qualificados, não pode compactuar com práticas violentas e discriminatórias em suas dependências. Tampouco pode se omitir de fomentar o debate crítico e impulsionar campanhas de conscientização contra práticas discriminatórias, violentas e excludentes, como a LGBTfobia, o racismo, a xenofobia e o machismo”, disse a diretoria do SINDTIFES- Pará.

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(DOL)





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