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REDUÇÃO DE IDADE

Pará enfrenta desafio para universalizar Ensino Médio

Quarta-Feira, 26/06/2019, 07:00:18 - Atualizado em 26/06/2019, 07:09:49 Ver comentário(s)

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Pará enfrenta desafio para universalizar Ensino Médio (Foto: Fernando Nobre/Seduc)
A área da educação no Estado foi deixada de lado durante vários anos pelo governo passado (Foto: Fernando Nobre/Seduc)

O desafio de manter jovens no ensino médio é o principal obstáculo à universalização da educação no Pará. Dados divulgados ontem, pelo Anuário Brasileiro da Educação Básica 2019, elaborado pelo movimento Todos pela Educação, mostram que apenas 50,6% dos estudantes paraenses concluem o Ensino Médio até os 19 anos. Ou seja, de cada 100 alunos que ingressam na escola nesta etapa, pouco menos de 51 conseguem concluir aos 19 anos. No caso do Ensino Fundamental, de cada 100 alunos, 77 concluem na idade entre um e 12 anos e 65% dos estudantes concluem o Ensino Fundamental até os 16 anos. Os dados divulgados foram organizados segundo as metas do Plano Nacional de Educação (PNE).

A média de conclusão do Ensino Médio de jovens de 19 anos em 2018 no Pará é a pior entre os estados da região Norte e a quarta pior do Brasil. O Anuário mostrou que essa média na Grande Belém é de 63,7%, o que expõe a necessidade de avançar com melhorias e investimentos na medida em que o ensino público vai se distanciando do núcleo metropolitano estadual e avançando pelo interior do Pará. A média nacional de jovens que concluem o Ensino Médio até os 19 anos foi de 63,4%.

SEM EVOLUÇÃO

Já o número de jovens de 15 a 17 anos cursando o ensino médio nas escolas paraenses subiu muito pouco em oito anos: passou de 45,5% de taxa de matrícula em 2012 para 58% em 2018, dez pontos abaixo da média nacional, de 68,7%. O Plano Nacional de Educação (PNE), estabeleceu, em 2014, a meta de universalizar o atendimento à população de 15 a 17 anos até 2016.

De acordo com a Constituição Federal de 1988, o Estado tem obrigação de oferecer ensino fundamental e médio para todos os brasileiros. Embora algumas iniciativas tenham sido lançadas nas últimas décadas para atingir este objetivo, especialistas do movimento Todos Pela Educação dizem que os avanços ainda foram bem desiguais, variando bastante de Estado para Estado. A meta de universalização ainda não foi alcançada por nenhuma região brasileira. “Além das defasagens de aprendizagem herdadas das etapas anteriores, as adversidades do Ensino Médio brasileiro relacionam-se, principalmente, a um problema de arquitetura curricular, baixo incentivo ao protagonismo juvenil e pouca conexão com os interesses da juventude”, avalia Caio Sato, coordenador do Núcleo de Inteligência do Todos Pela Educação.

Ele acredita que as recentes modificações para o Ensino Médio propostas pela Lei 13.145/2017, que apontam para a ampliação da oferta de diferentes trajetórias de formação, além da expansão da jornada escolar, podem ser um caminho a ser seguido. “Propomos a diretriz de repensar e implementar uma nova proposta pedagógica que configure uma escola de Ensino Médio que realmente faça sentido e diferença na vida dos adolescentes e jovens brasileiros”, ressalta.

Com relação ao Ensino Médio no Pará, os sinais são dados há alguns anos. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2005 e 2017 com resultado de 3,1 foi o segundo pior do país. O Pará está entre os piores resultados na Meta 3, que prevê “todo aluno com aprendizado adequado ao seu ano”.

O Anuário mostra também que a porcentagem de alunos acima do nível considerado adequado pelo Todos Pela Educação nas disciplinas Língua Portuguesa e Matemática, os estudantes paraenses estão entre os piores do Brasil.

A análise, realizada com base no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), avaliação federal que compõe o Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) mostra que alunos da 3ª série do Ensino Médio das escolas do Pará tiveram o menor índice de aprendizado do país em Língua Portuguesa em 2017, quando somente 15,6% dos estudantes conseguiram demonstrar conhecimento da matéria. O quadro fica ainda pior quando comparado com 2015, quando porcentual de aproveitamento foi de 18,7%, ou seja, ocorreu regressão no ensino.

Enquanto o Pará regride, estados como Ceará, Goiás e Acre tiveram avanço destacado em ambas as áreas de conhecimento (Matemática e Língua Portuguesa).

O Todos Pela Educação considera como aprendizado adequado o alcance a uma determinada pontuação no Saeb correspondente a cada ano. A referência é o nível médio de aprendizado de um conjunto de países que serve de modelo de sistema educacional para o Brasil, além de uma análise de um conjunto de especialistas para chegar a uma nota. O movimento monitora cinco metas.

(Luiza Mello/Diário do Pará)





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